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Veja os cuidados para ter com crianças na praia

Olá leitores do Canal de Viagem!

 

Viagens com crianças sempre demandam maior cuidado e planejamento, que o digam as praias. O mar, a areia, muita gente junta… são perigos iminentes para os pequenos. Para que você não tenha grandes preocupações quando for ao litoral, reunimos algumas dicas e recomendações para pais e filhos.

 

Os cuidados começam em casa

 

De acordo com Sandra de Oliveira Campos, pediatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a criança precisa se alimentar bem. Nada de estômago vazio antes de ir à praia ou à piscina. Dê preferência a alimentos leves e saudáveis, como frutas.

 

Outra providência é aplicar protetor solar. De acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), para serem eficientes, todos os filtros solares devem ser aplicados 30 minutos antes da exposição ao sol, com uma camada espessa, e reaplicados a cada duas horas, após entrada na água ou transpiração excessiva. Lembre-se de que bebês menores de seis meses não podem usar o produto.

 

Mesmo empolgadas com o passeio, crianças precisam descansar entre um período e outro durante a exposição solar. “Elas precisam repor as energias. É o momento de se alimentar adequadamente em casa e de se manter longe do sol em horários indevidos. Quanto menor a criança, mais tempo de descanso ela deve ter”, afirma a pediatra Sandra.

 

Cuidados com o sol

 

Fonte de vitamina D, o sol faz bem à saúde da garotada desde que se respeite os horários de exposição: até as 10h e depois das 16h, seja qual for a idade do seu filho, e sempre utilizando filtro solar. A eficiência do protetor ainda depende da aplicação correta, que deve ser feita com atenção em regiões mais vulneráveis a queimaduras, como orelhas, pés e dobras.

 

Para garantir uma exposição solar segura, além do uso de filtro, é necessário não se esquecer do guarda-sol e de colocar um boné ou chapéu na criança, acessório que diminui a incidência de luz nos olhos e serve de proteção para o nariz.

 

Hidratação

 

Sob o sol forte, é preciso não descuidar da hidratação da criança. Distraídas com as brincadeiras na areia e na água, ela dificilmente se lembrará de pedir algo para beber, por isso, principalmente com os menores de seis anos, ofereça algum líquido a cada meia hora.

 

A recomendação é investir nas opções saudáveis: água, sucos e água de coco naturais, gelatina, picolés de frutas e as próprias frutas, como melancia, melão, laranja e abacaxi, que possuem grande quantidade de água em sua composição. Se optar pelas frutas in natura, uma dica é cortá-las e colocá-las em recipientes de plástico com tampa, dentro de uma bolsa térmica com gelo, para levar à praia, o que manterá o alimento fresco.

 

Segundo a pediatra da Unifesp, crianças com lábios secos e sede constante podem estar desidratadas. Outro indício de que seu filho pode não estar com o volume adequado de líquido no organismo é a urina dele: “Um bom parâmetro é o xixi bem clarinho. Quem não está bem hidratado produz uma urina de cor mais forte; daí basta oferecer mais líquido”.

 

Alimentação

 

A recomendação principal dos especialistas é ser bastante criterioso ao escolher o que vai dar para a criança comer na praia. Nada de ingerir alimentos de barraquinhas que deixam a comida exposta, sem refrigeração e com higiene duvidosa. Prefira alimentos procedentes de embalagens lacradas e com data de validade, como biscoito de polvilho.

 

Na hora do almoço, ofereça refeições leves. “Escolha sempre legumes para compor os pratos. Eles são ricos em água e de fácil digestão”, afirma o pediatra Jorge Huberman, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

 

Alergia

 

Brincar com areia faz parte do pacote de diversão da criança na praia, mas para evitar que os menores, até seis anos, desenvolvam algum tipo de alergia é bom ter por perto água doce para lavá-los de tempos em tempos para tirar o excesso.

 

Também oriente e supervisione seu filho para que ele não queira pôr em prática a corriqueira brincadeira de cavar um buraco, entrar dentro dele e ser coberto por areia, ficando só com a cabeça de fora. Além do perigo de a maré subir, há o risco de o local estar contaminado com fezes de cachorros e gatos, o que pode provocar infecção por bicho geográfico, entre outros problemas causados por parasitas.

 

Repelente

 

Assim como o protetor solar, o repelente é outro item necessário ao ir à praia com crianças, mas seu uso só é liberado para aquelas com mais de seis meses. Antes disso, por causa de sua composição química, pode causar reação alérgica.

 

O pediatra Jorge Huberman diz que se deve usar o produto principalmente no início e no final do dia, períodos em que os insetos costumam atacar mais.  Outra orientação é usar o repelente primeiro e só depois o filtro solar, já que este, para proteger adequadamente, precisa estar na superfície da pele. Em casa, nesses horários e pelo mesmo motivo, é bom fechar as janelas dos ambientes. O especialista ainda recomenda o uso contínuo do repelente de tomada.

 

Segurança

 

Para que os momentos na praia sejam só de diversão, os pais podem adotar algumas medidas simples para garantir a segurança da criança. Para que prevenir que o filho não se perca, assim que chegar à praia, vá direto ao posto de salva-vidas mais próximo e retire uma pulseirinha de identificação. Nela deve-se colocar o nome da criança, do responsável e telefone para contato.

 

Na maioria das vezes, as crianças perdem-se quando vão para o mar, ainda que somente no raso e com o consentimento dos pais. “A criança escolhe o guarda-sol que está com a família como referência, só que ela vai para a água e a maré acaba levando-a para a lateral. Ela começa a andar para procurar onde estava e se perde ainda mais. Por isso a orientação é nunca deixar uma criança sozinha. Ela tem de estar sempre acompanhada por um adulto”, afirma o tenente Freire do Grupamento de Bombeiros Marítimo.

 

Segundo o Corpo de Bombeiros, coletes salva-vidas e boias de braço são bons recursos de segurança, mas a corporação desaconselha qualquer objeto flutuante na água. “Quem usa um colchão, uma cadeira ou boia perde o contato com o solo e acaba sendo arrastado mar adentro. O ideal é que a criança mesmo dentro da água sempre esteja com os pés na areia”, diz Freire.

 

Agora dê uma olhada em mais algumas recomendações de especialistas para que os esperados dias de descanso com as crianças não sejam ameaçados por problemas típicos do verão na praia:

 

Queimadura solar

Para aliviar a ardência, aplique pasta d’água nas áreas afetadas e afaste seu filho do sol nos dias seguintes. Compressas de água gelada e hidratantes à base de aloe vera ou loções com calamina ajudam a refrescar. Fuja de receitas caseiras. Bolhas ou feridas significam queimaduras de grau dois ou três, nesse caso, é preciso procurar um médico. Para evitar o problema, não exponha bebês menores de seis meses diretamente ao sol. Até essa idade, proteja-os com roupas leves, chapéus ou bonés e mantenha-os na sombra. “Depois dessa fase, é possível aplicar protetor solar na criança. Escolha um adequado à faixa etária, resistente à água e com FPS acima de 50, de preferência. Reaplique de hora em hora”, diz a dermatologista Silvia Zimbres.

 

Água-viva

As queimaduras por água-viva ocorrem pelo contato com seus filamentos, que injetam toxinas na pele. Essas substâncias, normalmente, geram irritações, dores e ardor no local. Uma vez queimadas, as crianças devem sair da água imediatamente, pois esse animal costuma andar em grupo. O primeiro passo é retirar os tentáculos aderidos à pele com pinça ou material plástico, tomando o cuidado de proteger as mãos. “Lave o local com água do mar, jamais com água doce, que aumenta a liberação do veneno”, afirma a pediatra Milena de Paulis. Para inativar as toxinas, ela aconselha adotar compressas de vinagre comum por, no mínimo, 30 minutos. “Para aliviar a dor, pode-se aplicar bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria por cinco a dez minutos”, diz Milena. Em casos de dor extrema, enjoo, vômito ou febre, deve-se procurar auxílio médico imediato.

 

Ouriço-do-mar

Os ouriços encontrados no Brasil não costumam conter o veneno que causa reações sistêmicas graves, como paralisias musculares. Mesmo assim, pisar ou esbarrar nos exemplares nacionais exige cuidados. Seus espinhos têm substâncias irritantes e o principal problema é a espícula quebrada que fica dentro da pele, causando dor, vermelhidão e inchaço. “Quando a penetração dos espinhos for superficial, vale tentar removê-los com uma pinça. Se for profunda, a retirada deverá ser feita em um serviço de emergência”, diz a pediatra Milena de Paulis. Os espinhos quebram facilmente e, muitas vezes, a sua remoção pode ser difícil. “A coloração azulada no ponto de penetração do espinho ajuda na sua localização. Lave com água e sabão e aplique um antisséptico à base de Clorexidina em seguida”, diz o médico Felipe Lora. Banhos de água morna aliviam a dor.

 

Criança perdida

Permaneça no mesmo local, enquanto outro adulto pede ajuda no posto salva-vidas mais próximo ou, na ausência de um, em um posto policial. Assim caso a criança volte, vocês não se desencontram. Para evitar sustos, uma dica útil é ir à praia durante os períodos mais tranquilos – de manhã bem cedo e no fim da tarde. Vestir o filho com roupas de cores chamativas também é uma estratégia que facilita sua localização. É importante colocar pulseiras de identificação com nome, endereço e telefone dos pais, em crianças menores de cinco anos. “Com as maiores, os pais podem combinar um ponto de encontro caso se percam e ficar próximos de locais de fácil visualização”, diz a pediatra Camila Reibscheid.

 

Bicho geográfico

As crianças são mais atingidas do que os adultos, pois costumam ficar em bastante contato com a areia – a moradia da larva migrans, nome científico do bicho geográfico. Além disso, as crianças têm a pele mais fina, sendo mãos, braços, pés, pernas e nádegas as áreas mais frequentemente atingidas. As larvas podem penetrar pela pele íntegra ou através de alguma lesão existente. Uma vez dentro da pele, elas caminham de um a dois cm por dia, deixando um rastro avermelhado que se assemelha ao desenho de um mapa. “O tratamento é feito à base da aplicação de pomada no local. Porém, se há uma infestação muito grande, podem ser usados medicamentos orais. É importante que esses remédios sejam orientados pelo pediatra, pois nem todas as crianças podem utilizá-los”, afirma a dermatologista Silvia Zimbres.

 

Intoxicação alimentar

O problema ocorre durante a manipulação, preparo, conservação e/ou armazenamento dos alimentos. Em crianças, pode ser considerada doença grave, pois causa desidratação. Fique atento aos seus sinais: diminuição do volume de urina, prostração e boca seca. Na praia, escolha com cuidado o que dar para a criança comer. “O ideal é dar preferência a sorvetes industrializados, água de coco e milho cozido, em vez de espetinhos de camarão, pastéis, churros. Opte por alimentos leves e de procedência conhecida, como lanches e sucos, preparados em casa, e frutas. Nunca dispense o armazenamento em sacola térmica”, diz o endocrinologista Felipe Lora. Os sintomas da intoxicação alimentar são dor abdominal, enjoos, vômitos, diarreia e febre. Dependendo da intensidade deles, é necessário procurar um médico. Para a recuperação da criança, repouso e ingestão de líquidos são fundamentais.

 

Picadas de insetos

Pomadas específicas ajudam a aliviar a dor, a irritação e a coceira, mas, antes de comprar, pergunte ao pediatra qual a ideal. Compressas com água gelada minimizam o desconforto. Para evitar o problema, é recomendável adotar telas nas janelas e dedetizar os ambientes. “Como são menos agressivos, os inseticidas de hoje podem ser aplicados no quarto, de três a quatro horas, antes de a família se deitar. Convém, entretanto, arejar o local uma hora antes”, afirma a dermatologista Silvia Zimbres. Já os repelentes de tomada devem ser colocados na parede oposta da cama da criança. Repelentes só devem ser usados por crianças acima de seis meses, três vezes por dia, e só nas áreas que ficam expostas. Mais do que isso pode causar intoxicação. “Acima de dois anos, o repelente mais eficaz deve ter uma substância chamada DEET, com percentual menor que 20%, para consumo infantil”, fala Silvia.

 

Cair e ralar o corpo na areia

Machucados sem maiores consequências – sem rompimento da derme, que exija sutura ou lesões ortopédicas – requerem apenas higiene do local com água e sabão. “Evite curativo que tampe a lesão, pois a ferida pode demorar mais para cicatrizar e ainda corre o risco de infeccionar”, diz a pediatra Camila Lima Reibscheid. Fique atento a sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço, dor, calor e saída de secreção purulenta no local. Nesses casos, deve-se procurar o médico.

 

Dor de ouvido

Segundo a pediatra Milena de Paulis, na praia, a inflamação do ouvido, geralmente, acontece pela permanência excessiva da criança na água. “Para evitar, faça com que ela use tampões de silicone para diminuir a entrada de água no ouvido. Em casa, limpe as orelhas com água corrente e seque bem os ouvidos com uma toalha limpa, nunca com cotonetes ou outros materiais que possam perfurar o tímpano.” Caso a criança sinta dor, peça ao pediatra dela que indique algum anti-inflamatório ou analgésico. Em caso de febre, é necessário levá-la ao hospital com urgência. A dor de ouvido também pode ser resultado da sensação de desconforto ao descer a serra indo para praia. A criança não entende a pressão e se refere a ela como dor. Esse quadro não progride e logo normaliza.

 

Engole muita água do mar

Não se trata aqui de afogamento, é claro. O famoso “caldo”, quando acontece uma imersão rápida, não tem maior gravidade. “Já a ingestão de água do mar proposital e repetida pode causar um quadro de sede excessiva e desidratação grave, além de aumentar o risco de doenças infecciosas por impurezas contidas nessa água”, afirma o endocrinologista Felipe Lora. Segundo a pediatra Milena de Paulis, é bom observar a criança com atenção. “Se a água estiver contaminada, principalmente por coliformes fecais, existe o risco do aparecimento de vômitos, diarreia, febre e mal-estar. Buscar orientação médica é fundamental para evitar desidratação”, diz a pediatra Milena de Paulis.

 

Fique atento às crianças e divirta-se junto com elas!

 

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Boa praia!

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